sábado, 2 de julho de 2011

Parada gay: respeitar e ser respeitado


Eu não queria escrever sobre esse assunto; mas diante das provocações e ofensas ostensivas à comunidade católica e cristã, durante a Parada Gay deste último domingo, não posso deixar de me manifestar em defesa das pessoas que tiveram seus sentimentos e convicções religiosas, seus símbolos e convicções de fé ultrajados.
Ficamos entristecidos quando vemos usados com deboche imagens de santos, deliberadamente associados a práticas que a moral cristã desaprova e que os próprios santos desaprovariam também. Histórias romanceadas ou fantasias criadas para fazer filmes sobre santos e personalidades que honraram a fé cristã não podem servir de base para associá-los a práticas alheias ao seu testemunho de vida.
São Sebastião foi um mártir dos inícios do Cristianismo; a tela produzida por um artista cerca de 15 séculos após a vida do santo, não pode ser usada para passar uma suposta identidade homossexual do corajoso mártir. Por que não falar, antes, que ele preferiu heroicamente sofrer as torturas e a morte a ultrajar o bom nome e a dignidade de cristão e filho de Deus?!

“Nem santo salva do vírus da AIDS”. Pois é verdade. O que pode salvar mesmo é uma vida sexual regrada e digna. É o que a Igreja defende e convida todos a fazer. O uso desrespeitoso da imagem dos santos populares é uma ofensa aos próprios santos, que viveram dignamente; e ofende também os sentimentos religiosos do povo. Ninguém gosta de ver vilipendiados os símbolos e imagens de sua fé e seus sentimentos e convicções religiosas. Da mesma forma, também é lamentável o uso desrespeitoso da Sagrada Escritura e das palavras de Jesus – “amai-vos uns aos outros” – como se ele justificasse, aprovasse e incentivasse qualquer forma de “amor”; o “mandamento novo” foi instrumentalizado para justificar práticas contrárias ao ensinamento do próprio Jesus.

A Igreja católica refuta a acusação de “homofóbica”. Investiguem-se os fatos de violência contra homossexuais, para ver se estão relacionados com grupos religiosos católicos. A Igreja Católica desaprova a violência contra quem quer que seja; não apoia, não incentiva e não justifica a violência contra homossexuais.
E na história da luta contra o vírus HIV, a Igreja foi pioneira no acolhimento e tratamento de soro-positivos, sem questionar suas opções sexuais; muitos deles são homossexuais e todos são acolhidos com profundo respeito. Grande parte das estruturas de tratamento de aidéticos está ligada à Igreja. Mas ela ensina e defende que a melhor forma de prevenção contra as doenças sexualmente transmissíveis é uma vida sexual regrada e digna.
Quem apela para a Constituição Nacional para afirmar e defender seus direitos, não deve esquecer que a mesma Constituição garante o respeito aos direitos dos outros, aos seus símbolos e organizações religiosas. Quem luta por reconhecimento e respeito, deve aprender a respeitar. Como cristãos, respeitamos a livre manifestação de quem pensa diversamente de nós. Mas o respeito às nossas convicções de fé e moral, às organizações religiosas, símbolos e textos sagrados, é a contrapartida que se requer.

A Igreja Católica tem suas convicções e fala delas abertamente, usando do direito de liberdade de pensamento e de expressão. Embora respeitando as pessoas homossexuais e procurando acolhê-las e tratá-las com respeito, compreensão e caridade, ela afirma que as práticas homossexuais vão contra a natureza; essa não errou ao moldar o ser humano como homem e mulher.
Afirma ainda que a sexualidade não depende de “opção”, mas é um fato de natureza e dom de Deus, com um significado próprio, que precisa ser reconhecido, acolhido e vivido coerentemente pelo homem e pela mulher.

Causa preocupação a crescente ambiguidade e confusão em relação à identidade sexual, que vai tomando conta da cultura. Antes de ser um problema moral, é um problema antropológico, que merece uma séria reflexão, em vez de um tratamento superficial e debochado, sob a pressão de organizações interessadas em impor a todos um determinado pensamento sobre a identidade do ser humano.
Mais do que nunca, hoje todos concordam que o desrespeito às leis da natureza biológica dos seres introduz neles a desordem e o descontrole nos ecossistemas; produz doenças e desastres ambientais e compromete o futuro e a sustentabilidade da vida. Ora, não seria o caso de fazer semelhante raciocínio, quando se trata das leis inerentes à natureza e à identidade do ser humano? Ignorar e desrespeitar o significado profundo da condição humana não terá consequências? Será sustentável para o futuro da civilização e da humanidade?

As ofensas dirigidas não só à Igreja Católica, mas a tantos outros grupos cristãos e tradições religiosas não são construtivas e não fazem bem aos próprios homossexuais, criando condições para aumentar o fosso da incompreensão e do preconceito contra eles. E não é isso que a Igreja Católica deseja para eles, pois também os ama e tem uma boa nova para eles; e são filhos muito amados pelo Pai do céu, que os chama a viver com dignidade e em paz consigo mesmos e com os outros.

Card. Odilo P. Scherer
Arcebispo de São Paulo

Publicado em O SÃO PAULO

Manifeste-se contra o desrespeito à Fé Católica promovido pela Ditadura Gay.


A Parada do Orgulho Lésbico, Gay, Bissexual e Transgênero de São Paulo decidiu este ano utilizar imagens ofensivas aos católicos para promover o uso do preservativo nas relações homossexuais.
O evento, que teve como tema um versículo do Evangelho de São João manipulado – “Amai-vos uns aos outros: basta de homofobia!” -, colocou 170 cartazes em postes ao longo da avenida Paulista, com modelos masculinos representando santos católicos como se fossem homossexuais, seminus e em posturas eróticas, ao lado das mensagens: “Nem santo te protege” e “Use camisinha”.
O fato foi uma clara provocação e um desrespeito à Igreja e às práticas religiosas de 155 milhões de brasileiros que professam a fé católica. É um ataque, deboche e vilipêndio do ensinamento moral da Igreja, que considera – sendo fiel à Revelação – os atos homossexuais intrinsecamente maus.
O Código Penal, no artigo 208, assinala que é crime:
“escarnecer de alguém publicamente, por motivo de crença ou função religiosa; impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso; vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso. Pena – detenção de um mês a um ano, ou multa”.
O que houve na Avenida Paulista durante a “Parada LGBT” foi vilipêndio público do culto católico e ofensa ao sentimento religioso. O fato se torna ainda mais grave pelo fato de a Parada receber financiamento público, especialmente dos Ministérios da Cultura e da Saúde, da Petrobrás, da Caixa Econômica Federal e da Prefeitura de São Paulo. Consideramos que se este episódio passar despercebido, outros mais graves virão.
Se você sentiu-se ofendido e agredido na sua fé com os cartazes desrespeitosos à fé católica na “Parada LGBT”, nós o convidamos a:

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sexta-feira, 1 de julho de 2011

Morre o Pe.Gobbi


Milão, Itália - Faleceu quarta-feira(29-06) Padre Steffano Gobbi na cidade de Milão, Itália, por volta das 15:00, horário de Roma, 11:00 no horário de Brasília. Padre Gobbi foi o inicializador do Movimento Sacerdotal Mariano. Ele tinha a graça de ter locuções interiores com Nossa Senhora. O Movimento possue hoje milhares de fiéis devotos além de sacedotes e até bispos que buscam em Maria o caminho para Jesus. 

terça-feira, 21 de junho de 2011

Tu és Pedro, Bento XVI! És pedra!

Por Everson Fontes Fonseca (Seminarista)*


Publicado no Jornal da Cidade, Aracaju - SE, em 15/05/2010

Intrépido, destemido, confiante, eis a face do “Cooperador da Verdade”. Confiança inabalável daquele que faz às vezes da Pedra da Igreja de Cristo. Bento XVI, com o seu silêncio comunicante, expressa uma máxima atitude: confia naquele que é a Cabeça da Igreja. Perante tantos ultrajes, ofensas, difamações, lá está ele, cabeça erguida, férula na mão, doce peso da Igreja às costas, voz rouca, testemunha a Verdade. Tu és Pedro, Bento XVI! E não falo de verdade ideológica, mas da Verdade, Cristo Jesus, Nosso Senhor (cf. Jo 14, 6).
No desenrolar dos dias, ao ver inúmeros episódios nefastamente satânicos e odiosos por parte de alguns órgãos da imprensa, tenho presente o que o próprio Jesus já avisara aos seus nas bem-aventuranças: “Felizes sois, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o tipo de mal contra vós por causa de mim. Alegrai-vos e regozijai-vos, p orque será grande a vossa recompensa nos céus” (Mt 5, 11-12).
O ódio ao Papa Ratzinger é o ódio à Igreja. Como voz profética a “Mãe Católica” não pode sucumbir num silêncio omissivo diante das diversas formas de relativismos e de injustiças patrocinadas por ideologias adversas à moral cristã. Aqui, vale ressaltar a pretensão dos que querem descriminalizar o aborto; dos que ambicionam legalizar as uniões homossexuais; dos que se sentem incomodados com a presença e credibilidade da instituição Católica; enfim, de todos os que se colocam contra o Reino de Deus concretizado pela Igreja, e nela. Estes aderentes à subversão dos costumes buscam, inescrupulosamente, a todo o custo e em vão, sacudir a Barca de Pedro, guiada pelo sopro afável do Espírito Santo, cujo leme está nas mãos do fisicamente frágil e espiritualmente inabalável, Bento XVI. Tais “lobos” recorrem ao auxílio de inverdades alardemente divulgadas, ou mesmo correm a trás dos que não testemunham a sua fé e vocação (que, diga-se de passagem, é uma minoria irrisória) para macular a imagem da Totta pulcra (Toda bela), sem mancha e sem ruga Esposa de Cristo.
O Papa tem-se mostrado rocha. Não um seixo qualquer que se fragmenta facilmente, mas caracteriza-se pela sua consistência inabalável, já que alicerça “a Jerusalém Celeste, a nossa Mãe” (Gl 4, 26). Não sentimentalmente frio e apático, e sim transparente como o diamante artisticamente lapidado que possui uma alta valorização e durabilidade. E quem é este artista? Só pode ser Deus mesmo que, com o auxílio da sua graça, vai moldando esse santo homem, através das provações e incompreensões do mundo cruel e relativo que ora vivenciamos.
Incompreensão: alto preço pago pela defesa da Verdade. Aparente derrota: resultado figurativo que os diversos meios contrários à fé desejam passar da Santa Igreja e do Sucessor de Pedro. Confiança: res posta divinamente testemunhal dada por um octogenário ao mundo incrédulo, e por isso desesperançado. Paternidade transparente: adjetivo deste homem que é o Vigário de Cristo. Sim, transparente. Não esbraveja contra os seus opositores, silencia, e neste silêncio age. Não por cobrança exterior, mas continua o que de praxe já fazia esmeradamente: transmite o Cristo, confirma o seu rebanho que a ele foi confiado, extirpa os erros, apregoa a Verdade.
A solidez da Igreja de Cristo aborrece os indiferentes. Por isso, cria-se uma ojeriza à figura petrina. O confirmar os irmãos na fé, nem sempre é fácil. Ao interpelar o magnânimo Pedro para o exercício de apascentar o seu rebanho, Nosso Senhor o previne acerca do seu martírio (cf. Jo 21, 15-19). Hoje, Pedro é interpelado nesse ancião que rege o timão da Barca-grei do Senhor, através de um fiel e corajoso seguimento àquele que o chamou. É por amor que Bento rege. É por amor que Bento sofre o seu ma rtírio incruento, a sua aparente solidão humana. Porém, esta carência superficial é recompensada pela paz de espírito dada pelo Ressuscitado, luz inextinguível que brilha em meio às trevas do pecado e do mundo.
Agora, é mais fácil ter em mente o que Jesus quis dizer com “o poder do inferno nunca prevalecerá sobre ela” (cf. Mt 16, 18). É uma promessa! Esta se cumpre cotidianamente, principalmente quando parece que tudo e todos estão contra ela. É a Igreja que testemunha o Cristo. É o Cristo que perpetua o seu Reino através do testemunho de sua Amada.
Indago-me: Qual será a atitude do mundo quando perceber que a “enganosa veracidade” dos fatos que momentaneamente incriminam o Papa foi causada por homens desleais e maledicentes? Quando se derem conta que a todo instante foram enganados por mentirosos e antiéticos veículos de comunicação que abominam a Verdade em nome de suas “verdades”? Reconhecerão a voz profético-denu nciadora de Bento XVI ao anunciar o Cristo, cujo olhar incomoda?
“Salve, Santo Padre! Vivas tanto ou mais que Pedro!” É assim que cantamos a ti na Marcha Pontifícia. É um desejo nosso, Santo Padre: que em ti, apesar da tua longevidade, resplandeça a jovialidade daquela a quem te foi dado o encargo de governá-la vigorosamente. Ainda que as intempéries do mar do mundo balancem a Barca de Pedro, a Igreja de Cristo permanece firme, Bento, com fé inabalável. Ela não afundará! O Senhor está com ela até o fim dos tempos! (cf. Mt 28, 20).
Tu és feliz, Bento XVI! És por sofreres injúrias, perseguições e mentiras por amor à Verdade! A Verdade a quem defendes recompensar-te-á, ó Pedro em meio a nós, ó Bento XVI! “Tu es Petrus, et super hanc petram aedificabo Ecclesiam meam!” (Tu ésPedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja!).

* Da Arquidiocese de Aracaju e bacharelando em Teologia pelo Seminário Maior Nossa Senhora da Conceição, em Aracaju-SE.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Súplica ao Papa Bento XVI por um Ano Santo mariano 2012-2013

Papa Bento XVI nomeia o novo Arcebispo de Brasília-DF


Dom Sérgio da Rocha é o novo arcebispo da arquidiocese de Brasília, no Distrito Federal. O anúncio foi feito nesta quarta-feira, 15, pelo papa Bento XVI, que nomeou também o padre Marian Marek Piatek, conhecido como padre Marcos, bispo da prelazia de Coari, no estado do Amazonas, vacante desde julho de 2009. Dom Sérgio, 51, vem para a capital federal transferido de Teresina (PI), onde chegou como arcebispo coadjutor, em 2007, assumindo a arquidiocese em setembro de 2008. Ele sucede a dom João Braz de Aviz que, em janeiro, foi nomeado prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica, em Roma.

Na última assembleia geral da CNBB, no mês passado, em Aparecida (SP), dom Sérgio foi eleito presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Doutrina da Fé, tornando-se membro do Conselho Episcopal Pastoral (Consep) e do Conselho Permanente da CNBB. No último quadriênio (2007-2011), foi presidente do Regional do Regional Nordeste 4 da CNBB, que abrange todo o estado do Piauí.

Paulista de Dobrada, dom Sérgio nasceu no dia 21 de outubro de 1959. Fez o curso de filosofia no Seminário de São Carlos (SP) e de teologia em Campinas (SP). Ordenado padre no dia 14 de dezembro de 1984, fez mestrado em Teologia Moral na Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção, em São Paulo, e doutorado na Academia Alfonsiana da Pontifícia Universidade Lateranense, em Roma.

Nomeado bispo auxiliar de Fortaleza (CE) em 13 de junho de 2001, recebeu a ordenação episcopal no dia 11 de agosto do mesmo ano. Como bispo, foi membro das Comissões da CNBB: para a Doutrina (2002-2007), Mutirão para Superação da Miséria e da Fome (2001-2004), para os Ministérios Ordenados e da Vida Consagrada (2007-2011). Neste mesmo período, foi presidente do Departamento de Vocações e Ministérios do Conselho Episcopal Latino-americano (Celam). Exerceu, também, várias funções nos Regionais da CNBB Nordeste 1 (Ceará) e Nordeste 4 (Piauí).

domingo, 12 de junho de 2011

Homilia de Pentecostes

Pe.Samuel Pereira Viana

Vinde Espírito Santo...

Irmãos e irmãs, iniciamos assim nossa reflexão, pois todas a vida da Igreja está e deve sempre estar permeada pela ação do Espírito Santo que na Igreja é como que a sua alma e na Ssma. Trindade, é o elo de comunhão entre o Pai e o Filho, totalmente voltado para um e outro; totalmente recebendo e doando o Amor do Pai pelo Filho e do Filho pelo Pai e, por ambos, sendo amado e amando-os. Ele é, pois, por apropriação, e é o que lhe constitui, total e perfeitissimamente o Dom do Amor em pessoa ou a Pessoa Amor no seio da Trindade Beatíssima.

Mas hoje, nossa atenção se volta não tanto para Ele, mas para a sua ação e somos levados a considerá-Lo não em Si, mas n’Ele, agindo na Igreja, Corpo de Cristo e em nós, membros vivos deste mesmo Corpo, onde Cristo é a Cabeça que, pela sua gloriosa Ascensão, do Céu constantemente nos atrai pelo Espírito derramado.

O Espírito Santo é o Amor no seio da Trindade Beatíssima. Isto significa que, pela sua própria natureza, ele é a Pessoa que brota da relação profunda de amor e natureza entre o Pai e o Filho. Sendo assim, a missão do Espírito Santo nos membros do Corpo de Cristo, a Igreja, é levar-nos ao interior mesmo da vida divina, gozando daquele amor que constitui a vida de Deus. Por isso o Espírito Santo é a Pessoa que não fala de Si, como nos revelou o Senhor, mas fala constantemente do Filho. Ele vem habitar em nós, não para ser adorado por si, mas na relação mesma entre o Pai e o Filho. Nosso Senhor assim rezou antes de partir de volta para junto do Pai: “Eu neles e Tu em mim, para que eles cheguem à perfeição da unidade e assim o mundo reconheça que Tu me enviaste e que os amaste a eles como a mim” (Jô 17, 23).

Deste modo, hoje o Senhor realiza o que prometera: enviar-nos outro Paráclito, isto é, outro que, vindo a nós, a Ele nos conduza e ao Pai.

Irmãos, o Espírito Santo-Amor, é aquele que não olha para si mesmo, mas voltado para o Pai e o Filho e que comunicado a nós, vem em nosso socorro para também nós sairmos de nós mesmos, nos impulsionando para Cristo e, nele, para Deus Pai.

Esta missão do Espírito Santo, mandado do Pai pelo Filho nos fazendo participar da vida de Deus, é pois, para que a vivamos entre nós como uma antecipação daquilo que viveremos no eterno abraço de Deus: uma comunhão de amor tal que, no dizer de São Paulo: “Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam ” (Coríntios 2,9). Assim, o  Espírito Santo nos impulsiona a desejar o que Deus deseja para nós a tal ponto de nos fazer superar os nossos gostos e nossas ilusões sobre o que é melhor para nós.

Deus caritas est! Deus é Amor e, sendo Amor só quer o que realiza em nós sua própria vida e quer afastar de nós o que pode danificar seu plano de real amor.

O Amor de Deus, portanto, nos faz sair de um eu enfraquecido e dividido pelo pecado, para alcançar o nós, n’Ele - Amor, e nas nossas relações de tal modo a nos considerarmos perdidos para o “eu” no “nós” que realiza. Mas, numa relação de real amor, o perder-se é verdadeiramente encontrar-se, posto que o amado se encontra tal qual é na relação com o Divino Amante.

Assim, o Espírito que nos faz sair, nos leva também voltar ao nosso verdadeiro eu que se encontra confuso, enfraquecido e disperso pelo pecado. Deste modo é que podemos contemplar o evento de Pentecostes que estamos celebrando.

A antiga torre de Babel tem aqui sua total destruição. Lá os homens, por si mesmos queriam chegar ao céu, sem Deus! Aqui, eles se encontram aguardando a realização da promessa do Senhor, reunidos em oração com Maria, a Mãe de Jesus. São Lucas detalha o seu estado d’ânimo: estavam com medo! Medo que brota da dispersão, da ausência do Senhor. Mas eis que se realizam os sinais, reproduzindo, o que se dera no Sinai quando Moisés recebeu os Dez Mandamentos: “fez-se ouvir, vindo do Céu, um rumor semelhante a forte rajada de vento, que encheu toda a casa onde se encontravam. Viram então aparecer uma espécie de línguas de fogo”. Lá a Lei; aqui a graça do Amor. Lá a letra, aqui, doravante a vida a ser vivida em plena liberdade do Amor.

Neste senso é que, antes medrosos, agora intrépidos e valentes. Publicamente narram as maravilhas de Deus! E Pedro toma a palavra no primeiro ato de Magistério como Vigário de Cristo a anunciar a salvação pela fé, Batismo e Crisma, Sacramentos primeiros, pelo qual se é introduzido Igreja, Corpo de Cristo e Templo do Espírito Santo, onde pela Eucaristia recebemos o Senhor. Eles nos fazem cristãos e testemunhas do Senhor com valentia!

E cada um entende em sua própria língua: eis o milagre que destrói finalmente o impulso de Babel presente nos homens quando querem afastar Deus. Lá a confusão das línguas, a dispersão e guerras pela face da Terra; aqui, apesar das variadas  línguas e povos, uma só compreensão: as maravilhas de Deus, o único capaz de satisfazer o desejo humano daquilo que busca, tantas vezes às avessas: a felicidade! Esta somente possível em Deus e no Amor que Ele nos dá.

A variedade de línguas e povos que constituem a Igreja tem aqui o seu sentido: a Igreja é a não-Babel. Isto, porém não elimina as diferenças, mas as unifica no Amor. Por esta razão o Espírito Santo, como que em línguas de fogo, se divide. Esta divisão, entretanto, não o diminui mas o comunica variadamente. É a variedade dos dons do Espírito concedidos à Igreja para que ela seja edificada. Ninguém, portanto, pode dizer-se no Espírito Santo e com dons, se estes não conduzem à edificação da Igreja e ao bem comum de todos os filhos de Deus. É o que São Paulo recorda aos coríntios ao dizer: “Na verdade, todos nós – judeus e gregos, escravos e homens livres – fomos batizados num só Espírito, para constituirmos um só Corpo. E a todos nos foi dado a beber um único Espírito.” Todo batizado, pois é um carismático, o que significa dizer, é templo do Espírito e deve viver do Espírito que quer ser glorificado em Cristo e Cristo no amor ao Pai, numa vida de serviço e cooperação com todos os demais batizados.

Assim, caros irmãos, se o Espírito é aquele que, voltado para o Pai e para o Filho, habitando em nós, nos ensina também a amar-nos uns aos outros como o quis Cristo. O amor humano, por isso, como ensina São Tomás, é “o êxtase da alma para o amado”. É um sair de si ao encontro do outro; é um esquecer-se e perder-se para encontrar-se verdadeiramente na união entre o que ama e o que é amado. O único interesse de quem ama deve ser amar e, se há no amado amor, dele receber também amor. E para encontrar amor, devemos aprender de São João da Cruz: “Onde não há amor, põe amor e encontrarás amor”!

E, quanto a qualidade e natureza do amor, devemos sempre considerar se nos leva ou nos afasta de Deus. Em Deus, tudo e todos podemos amar e ser amados.

Da natureza do amor, os latinos nos legaram: “amor diffusivum sui”, o amor é difusivo por si, por sua própria natureza. Isto nos faz retornar ao evento de Pentecostes e ao Dom do Espírito que o Senhor concede aos Apóstolos, como ouvimos no Evangelho. Junto com o Espírito o dom de perdoar os pecados. O amor é unitivo e não dispersivo. Se algo fere a relação de amor com Deus, é sempre o Espírito a ser derramado sobre nós no Sacramento da Confissão para nos reconciliar com Deus e com a Igreja a quem ofendemos quando pecamos. Mas isto não é tudo. Como “amor, diffusivum sui”, amados, sempre reconciliados, somos chamados a considerar os versos do poeta Vinícius de Moraes, aplicados aqui com exclusão do que não se adéqua ao real amor: “De tudo ao meu amor serei atento/Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto/Que mesmo em face do maior encanto/Dele se encante mais meu pensamento./Quero vivê-lo em cada vão momento/E em seu louvor hei de espalhar meu canto/E rir meu riso e derramar meu pranto/Ao seu pesar ou seu contentamento/ ...

Em louvor de Deus, pois, narremos também nós as maravilhas de Deus com a língua que nos dá o Espírito e que pode ser entendido por todos na edificação do Corpo de Cristo, a Igreja: o amor!!!

V.: Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo!
T.: Como era no princípio agora e sempre, amém!