terça-feira, 6 de março de 2012

Mensagem do Papa Bento XVI para a Quaresma de 2012

 
 
"Prestemos atenção uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras"
(Heb 10, 24)


Irmãos e irmãs!
A Quaresma oferece-nos a oportunidade de refletir mais uma vez sobre o cerne da vida cristã: o amor. Com efeito este é um tempo propício para renovarmos, com a ajuda da Palavra de Deus e dos Sacramentos, o nosso caminho pessoal e comunitário de fé. Trata-se de um percurso marcado pela oração e a partilha, pelo silêncio e o jejum, com a esperança de viver a alegria pascal.
Desejo, este ano, propor alguns pensamentos inspirados num breve texto bíblico tirado da Carta aos Hebreus: «Prestemos atenção uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras» (10, 24). Esta frase aparece inserida numa passagem onde o escritor sagrado exorta a ter confiança em Jesus Cristo como Sumo Sacerdote, que nos obteve o perdão e o acesso a Deus. O fruto do acolhimento de Cristo é uma vida edificada segundo as três virtudes teologais: trata-se de nos aproximarmos do Senhor «com um coração sincero, com a plena segurança da fé» (v. 22), de conservarmos firmemente «a profissão da nossa esperança» (v. 23), numa solicitude constante por praticar, juntamente com os irmãos, «o amor e as boas obras» (v. 24). Na passagem em questão afirma-se também que é importante, para apoiar esta conduta evangélica, participar nos encontros litúrgicos e na oração da comunidade, com os olhos fixos na meta escatológica: a plena comunhão em Deus (v. 25). Detenho-me no versículo 24, que, em poucas palavras, oferece um ensinamento precioso e sempre atual sobre três aspectos da vida cristã: prestar atenção ao outro, a reciprocidade e a santidade pessoal.


1. Prestemos atenção: a responsabilidade pelo irmão.
O primeiro elemento é o convite a «prestar atenção»: o verbo grego usado é katanoein, que significa observar bem, estar atento, olhar conscienciosamente, dar-se conta de uma realidade. Encontramo-lo no Evangelho, quando Jesus convida os discípulos a «observar» as aves do céu, que não se preocupam com o alimento e, todavia, são objeto de solícita e cuidadosa Providência divina (cf. Lc 12, 24), e a «dar-se conta» da trave que têm na própria vista antes de reparar no argueiro que está na vista do irmão (cf. Lc 6, 41). Encontramos o referido verbo também noutro trecho da mesma Carta aos Hebreus, quando convida a «considerar Jesus» (3, 1) como o Apóstolo e o Sumo Sacerdote da nossa fé. Por conseguinte o verbo, que aparece na abertura da nossa exortação, convida a fixar o olhar no outro, a começar por Jesus, e a estar atentos uns aos outros, a não se mostrar alheio e indiferente ao destino dos irmãos. Mas, com frequência, prevalece a atitude contrária: a indiferença, o desinteresse, que nascem do egoísmo, mascarado por uma aparência de respeito pela «esfera privada». Também hoje ressoa, com vigor, a voz do Senhor que chama cada um de nós a cuidar do outro. Também hoje Deus nos pede para sermos o «guarda» dos nossos irmãos (cf. Gn 4, 9), para estabelecermos relações caracterizadas por recíproca solicitude, pela atenção ao bem do outro e a todo o seu bem. O grande mandamento do amor ao próximo exige e incita a consciência a sentir-se responsável por quem, como eu, é criatura e filho de Deus: o fato de sermos irmãos em humanidade e, em muitos casos, também na fé deve levar-nos a ver no outro um verdadeiro alter ego, infinitamente amado pelo Senhor. Se cultivarmos este olhar de fraternidade, brotarão naturalmente do nosso coração a solidariedade, a justiça, bem como a misericórdia e a compaixão. O Servo de Deus Paulo VI afirmava que o mundo atual sofre sobretudo de falta de fraternidade: «O mundo está doente. O seu mal reside mais na crise de fraternidade entre os homens e entre os povos, do que na esterilização ou no monopólio, que alguns fazem, dos recursos do universo» (Carta enc. Populorum progressio, 66).

A atenção ao outro inclui que se deseje, para ele ou para ela, o bem sob todos os seus aspectos: físico, moral e espiritual. Parece que a cultura contemporânea perdeu o sentido do bem e do mal, sendo necessário reafirmar com vigor que o bem existe e vence, porque Deus é «bom e faz o bem» (Sal 119/118, 68). O bem é aquilo que suscita, protege e promove a vida, a fraternidade e a comunhão. Assim a responsabilidade pelo próximo significa querer e favorecer o bem do outro, desejando que também ele se abra à lógica do bem; interessar-se pelo irmão quer dizer abrir os olhos às suas necessidades. A Sagrada Escritura adverte contra o perigo de ter o coração endurecido por uma espécie de «anestesia espiritual», que nos torna cegos aos sofrimentos alheios. O evangelista Lucas narra duas parábolas de Jesus, nas quais são indicados dois exemplos desta situação que se pode criar no coração do homem. Na parábola do bom Samaritano, o sacerdote e o levita, com indiferença, «passam ao largo» do homem assaltado e espancado pelos salteadores (cf. Lc 10, 30-32), e, na do rico avarento, um homem saciado de bens não se dá conta da condição do pobre Lázaro que morre de fome à sua porta (cf. Lc 16, 19). Em ambos os casos, deparamo-nos com o contrário de «prestar atenção», de olhar com amor e compaixão. O que é que impede este olhar feito de humanidade e de carinho pelo irmão? Com frequência, é a riqueza material e a saciedade, mas pode ser também o antepor a tudo os nossos interesses e preocupações próprias. Sempre devemos ser capazes de «ter misericórdia» por quem sofre; o nosso coração nunca deve estar tão absorvido pelas nossas coisas e problemas que fique surdo ao brado do pobre. Diversamente, a humildade de coração e a experiência pessoal do sofrimento podem, precisamente, revelar-se fonte de um despertar interior para a compaixão e a empatia: «O justo conhece a causa dos pobres, porém o ímpio não o compreende» (Prov 29, 7). Deste modo entende-se a bem-aventurança «dos que choram» (Mt 5, 4), isto é, de quantos são capazes de sair de si mesmos porque se comoveram com o sofrimento alheio. O encontro com o outro e a abertura do coração às suas necessidades são ocasião de salvação e de bem-aventurança.
O fato de «prestar atenção» ao irmão inclui, igualmente, a solicitude pelo seu bem espiritual. E aqui desejo recordar um aspecto da vida cristã que me parece esquecido: a correção fraterna, tendo em vista a salvação eterna. De forma geral, hoje se é muito sensível ao tema do cuidado e do amor que visa o bem físico e material dos outros, mas quase não se fala da responsabilidade espiritual pelos irmãos. Na Igreja dos primeiros tempos não era assim, como não o é nas comunidades verdadeiramente maduras na fé, nas quais se tem a peito não só a saúde corporal do irmão, mas também a da sua alma tendo em vista o seu destino derradeiro. Lemos na Sagrada Escritura: «Repreende o sábio e ele te amará. Dá conselhos ao sábio e ele tornar-se-á ainda mais sábio, ensina o justo e ele aumentará o seu saber» (Prov 9, 8-9). O próprio Cristo manda repreender o irmão que cometeu um pecado (cf. Mt 18, 15). O verbo usado para exprimir a correção fraterna – elenchein – é o mesmo que indica a missão profética, própria dos cristãos, de denunciar uma geração que se faz condescendente com o mal (cf. Ef 5, 11). A tradição da Igreja enumera entre as obras espirituais de misericórdia a de «corrigir os que erram». É importante recuperar esta dimensão do amor cristão. Não devemos ficar calados diante do mal. Penso aqui na atitude daqueles cristãos que preferem, por respeito humano ou mera comodidade, adequar-se à mentalidade comum em vez de alertar os próprios irmãos contra modos de pensar e agir que contradizem a verdade e não seguem o caminho do bem. Entretanto a advertência cristã nunca há de ser animada por espírito de condenação ou censura; é sempre movida pelo amor e a misericórdia e brota duma verdadeira solicitude pelo bem do irmão. Diz o apóstolo Paulo: «Se porventura um homem for surpreendido nalguma falta, vós, que sois espirituais, corrigi essa pessoa com espírito de mansidão, e tu olha para ti próprio, não estejas também tu a ser tentado» (Gl 6, 1). Neste nosso mundo impregnado de individualismo, é necessário redescobrir a importância da correção fraterna, para caminharmos juntos para a santidade. É que «sete vezes cai o justo» (Prov 24, 16) – diz a Escritura –, e todos nós somos frágeis e imperfeitos (cf. 1 Jo 1, 8). Por isso, é um grande serviço ajudar, e deixar-se ajudar, a ler com verdade dentro de si mesmo, para melhorar a própria vida e seguir mais retamente o caminho do Senhor. Há sempre necessidade de um olhar que ama e corrige, que conhece e reconhece, que discerne e perdoa (cf. Lc 22, 61), como fez, e faz, Deus com cada um de nós.

 

2. Uns aos outros: o dom da reciprocidade.

O fato de sermos o «guarda» dos outros contrasta com uma mentalidade que, reduzindo a vida unicamente à dimensão terrena, deixa de considerá-la na sua perspectiva escatológica e aceita qualquer opção moral em nome da liberdade individual. Uma sociedade como a atual pode tornar-se surda quer aos sofrimentos físicos, quer às exigências espirituais e morais da vida. Não deve ser assim na comunidade cristã! O apóstolo Paulo convida a procurar o que «leva à paz e à edificação mútua» (Rm 14, 19), favorecendo o «próximo no bem, em ordem à construção da comunidade» (Rm 15, 2), sem buscar «o próprio interesse, mas o do maior número, a fim de que eles sejam salvos» (1 Cor 10, 33). Esta recíproca correção e exortação, em espírito de humildade e de amor, deve fazer parte da vida da comunidade cristã.

Os discípulos do Senhor, unidos a Cristo através da Eucaristia, vivem numa comunhão que os liga uns aos outros como membros de um só corpo. Isto significa que o outro me pertence: a sua vida, a sua salvação têm a ver com a minha vida e a minha salvação. Tocamos aqui um elemento muito profundo da comunhão: a nossa existência está ligada com a dos outros, quer no bem quer no mal; tanto o pecado como as obras de amor possuem também uma dimensão social. Na Igreja, corpo místico de Cristo, verifica-se esta reciprocidade: a comunidade não cessa de fazer penitência e implorar perdão para os pecados dos seus filhos, mas alegra-se contínua e jubilosamente também com os testemunhos de virtude e de amor que nela se manifestam. Que «os membros tenham a mesma solicitude uns para com os outros» (1 Cor 12, 25) – afirma São Paulo –, porque somos um e o mesmo corpo. O amor pelos irmãos, do qual é expressão a esmola – típica prática quaresmal, juntamente com a oração e o jejum – radica-se nesta pertença comum. Também com a preocupação concreta pelos mais pobres, pode cada cristão expressar a sua participação no único corpo que é a Igreja. E é também atenção aos outros na reciprocidade saber reconhecer o bem que o Senhor faz neles e agradecer com eles pelos prodígios da graça que Deus, bom e onipotente, continua a realizar nos seus filhos. Quando um cristão vislumbra no outro a ação do Espírito Santo, não pode deixar de se alegrar e dar glória ao Pai celeste (cf. Mt 5, 16).


3. Para nos estimularmos ao amor e às boas obras: caminhar juntos na santidade.

Esta afirmação da Carta aos Hebreus (10, 24) impele-nos a considerar a vocação universal à santidade como o caminho constante na vida espiritual, a aspirar aos carismas mais elevados e a um amor cada vez mais alto e fecundo (cf. 1 Cor 12, 31 – 13, 13). A atenção recíproca tem como finalidade estimular-se, mutuamente, a um amor efetivo sempre maior, «como a luz da aurora, que cresce até ao romper do dia» (Prov 4, 18), à espera de viver o dia sem ocaso em Deus. O tempo, que nos é concedido na nossa vida, é precioso para descobrir e realizar as boas obras, no amor de Deus. Assim a própria Igreja cresce e se desenvolve para chegar à plena maturidade de Cristo (cf. Ef 4, 13). É nesta perspectiva dinâmica de crescimento que se situa a nossa exortação a estimular-nos reciprocamente para chegar à plenitude do amor e das boas obras.

Infelizmente, está sempre presente a tentação da tibieza, de sufocar o Espírito, da recusa de «pôr a render os talentos» que nos foram dados para bem nosso e dos outros (cf. Mt 25, 24-28). Todos recebemos riquezas espirituais ou materiais úteis para a realização do plano divino, para o bem da Igreja e para a nossa salvação pessoal (cf. Lc 12, 21; 1 Tm 6, 18). Os mestres espirituais lembram que, na vida de fé, quem não avança, recua.


 
Queridos irmãos e irmãs, acolhamos o convite, sempre atual, para tendermos à «medida alta da vida cristã» (João Paulo II, Carta ap. Novo millennio ineunte, 31). A Igreja, na sua sabedoria, ao reconhecer e proclamar a bem-aventurança e a santidade de alguns cristãos exemplares, tem como finalidade também suscitar o desejo de imitar as suas virtudes. São Paulo exorta: «Adiantai-vos uns aos outros na mútua estima» (Rm 12, 10).

Que todos, à vista de um mundo que exige dos cristãos um renovado testemunho de amor e fidelidade ao Senhor, sintam a urgência de esforçar-se por adiantar no amor, no serviço e nas obras boas (cf. Heb 6, 10). Este apelo ressoa particularmente forte neste tempo santo de preparação para a Páscoa. Com votos de uma Quaresma santa e fecunda, confio-vos à intercessão da Bem-aventurada Virgem Maria e, de coração, concedo a todos a Bênção Apostólica.
 
 
Benedictus XVI

quinta-feira, 1 de março de 2012

Extra Ecclesia nulla sallus

    Alecio Souza Vieira

 


Diante deste axioma usado por Orígenes e Cipriano no século III, nos deparamos com dois grandes extremos: Em um primeiro plano poderemos cair no radicalismo de dizer que somente os membros da Igreja católica serão salvos, logo entraremos numa grande heresia, a predestinação, onde estes seriam salvos tão somente por serem católicos e os demais seriam condenados , mesmo sem que tenham culpa como em alguns casos.

O outro extremo é dizer que isto foi um engano, uma má interpretação da missão da Igreja nos primórdios, e relativizar a salvação dizendo que todas as religiões são iguais e       que independente da Igreja católica todos serão salvos apenas por suas boas obras.

A Santa Igreja tem se unido aos batizados que honram o nome de cristãos e são fiéis aos princípios evangélicos mesmo não professando integralmente a sua fé. Muitas Igrejas e comunidades eclesiais têm o episcopado válido e celebram a Eucaristia e alguns outros sacramentos em suas igrejas. A plenitude dos meios salvíficos está na Igreja Católica, e esta é necessária para salvação. Todavia, como nos ensina o catecismo da Igreja, mesmo sendo detentora de tais bens, a salvação não está presa entre as paredes da Igreja, pois como já disse existem em algumas igrejas elementos de salvação. Entretanto, “não podem salvar-se aqueles que, sabendo que a Igreja católica foi fundada por Deus por meio de Jesus Cristo como instituição necessária, apesar disso não quiseram nela entrar ou nela perseverar”(Lumem gentium 14).

 É muito difícil saber o tamanho da culpa e do conhecimento das pessoas, por isto a Igreja através da intercessão espera que sejamos um dia, um só rebanho guiado por um único pastor.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Papa nomeia Dom Lorenzo Baldisseri secretário da Congregação para os Bispos, no Vaticano .



Na manhã desta quarta-feira, 11 de janeiro, o papa Bento XVI transferiu o atual Núncio Apostólico no Brasil, dom Lorenzo Baldisseri para a Secretaria da Congregação para os Bispos, um dos dicastérios da Cúria Romana, no Vaticano. Dom Baldisseri havia completado nove anos de nomeação para a Nunciatura Apostólica no Brasil no dia 12 de dezembro passado. Antes, ele foi núncio no Haiti (1992 – 1995), no Paraguai (1995 – 1999), na Índia e no Nepal (1999 –2002).
No Brasil, ele sucedeu a dom Alfio Rapisarda. Dom Lorenzo Baldisseri passa a responder pela Secretaria da Congregação para os Bispos que tem como prefeito, desde junho de 2010, o cardeal canadense Marc Oullet, que esteve presente e orientou o retiro espiritual dos bispos na última Assembleia Geral da CNBB, em maio de 2011, em Aparecida (SP). O Secretário anterior da Congregação era o ex-núncio apostólico na Espanha, arcebispo português, dom Manuel Monteiro de Castro, que será criado cardeal no próximo Consistório, de 18 de fevereiro, conforme anúncio feito pelo Santo Padre no Angelus da Epifania, dia 6 de janeiro.
A propósito da transferência do núncio apostólico, o cardeal arcebispo de Aparecida e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Raymundo Damasceno Assis, emitiu, em nome da Presidência, a seguinte nota:


Saudação ao novo Secretário da Congregação para os Bispos

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) felicita Dom Lorenzo Baldisseri pela nomeação para o cargo de Secretário da Congregação para os Bispos, um dos mais importantes dicastérios da Cúria Romana. Reconhecemos, com gratidão, sua trajetória como Núncio Apostólico no Brasil, marcada pela excelente atuação tanto junto às autoridades brasileiras como representante do Papa, quanto pelo seu zelo apostólico manifestado pelas visitas pastorais realizadas a numerosas dioceses. Além disso, seus pronunciamentos, particularmente, registrados no recém-lançado livro “Ação e Missão – Um itinerário eclesial no Brasil”, sempre foram iluminadores de modo a contribuir com a CNBB no serviço da comunhão entre os bispos e com o sucessor de Pedro.
Entre suas beneméritas contribuições para Igreja no Brasil, estão a singular atenção pastoral que sempre teve para com os bispos, a presença em todas as assembleias do episcopado (no período em que exerceu sua função de Núncio), o encaminhamento de grande número de nomeações de bispos e a criação de várias dioceses. Destacamos, no entanto, com especial reconhecimento, sua decisiva participação na conclusão do acordo entre o governo brasileiro e a Santa Sé que estabeleceu o Estatuto Jurídico da Igreja Católica no Brasil, promulgado pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 11 de fevereiro de 2010. Naquela ocasião, Dom Baldisseri nos lembrava que com aquele ato solene se concluía o processo deste histórico tratado internacional que “constitui a reafirmação e a consolidação das relações existentes entre o Brasil e a Santa Sé e a adequada e clara regulamentação da significativa presença e contribuição da Igreja Católica para o progresso, a harmonia e o bem comum da sociedade brasileira”.
Em nome do episcopado brasileiro, agradecemos profundamente a Dom Baldisseri pelo seu valioso trabalho junto ao governo e a Igreja no Brasil e asseguramos as nossas orações pelo êxito de sua nova missão a serviço da Igreja como secretário da Congregação para os bispos. Temos a certeza de que a Igreja no Brasil será sempre grata pelo seu fecundo trabalho realizado como Núncio Apostólico em nosso país.

Cardeal Dom Raymundo Damasceno Assis
Arcebispo de Aparecida
Presidente da CNBB

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

"Unam sanctam" - Bula de S.S.Bonifácio VIII



BULA

DO SUMO PONTÍFICE

BONIFÁCIO VIII

UNAM SANCTAM



18.11.1302 Papa Bonifácio VIII


Do Papa Bonifácio VIII

De 18 de novembro de 1302

Una santa, católica e apostólica: esta é a Igreja que devemos crer e professar já que é isso o que a ensina a fé. Nesta Igreja cremos com firmeza e com simplicidade testemunhamos. Fora dela não há salvação, nem remissão dos pecados, como declara o esposo no Cântico: "Uma só é minha pomba sem defeito. Uma só a preferida pela mãe que a gerou" (Ct 6,9). Ela representa o único corpo místico, cuja cabeça é Cristo e Deus é a cabeça de Cristo. Nela existe "um só Senhor, uma só fé e um só batismo" (Ef 4,5). De fato, apenas uma foi à arca de Noé na época do dilúvio; ela foi a figura antecipada da única Igreja; encerrada com "um côvado" (Gn 6,16), teve um único piloto e um único chefe: Noé. Como lemos, tudo o que existia fora dela, sobre a terra, foi destruído.

A esta única Igreja, nós a veneramos, como diz o Senhor pelo profeta: "Salva minha vida da espada, meu único ser, da pata do cão" (Sl 21,21). Ao mesmo tempo em que Ele pediu pela alma - ou seja, pela cabeça - também pediu pelo corpo, porque chamou o seu corpo como único, isto é, a Igreja, por causa da unidade da Igreja no seu esposo, na fé, nos sacramentos e na caridade. Ela é a veste sem costura (Jo 19,23) do Salvador, que não foi dividida, mas tirada à sorte. Por isso, esta Igreja, una e única, tem um só corpo e uma só cabeça, e não duas como um monstro: é Cristo e Pedro, vigário de Cristo, e o sucessor de Pedro, conforme o que disse o Senhor ao próprio Pedro: "Apascenta as minhas ovelhas" (Jo 21,17). Disse "minhas" em geral e não "esta" ou "aquela" em particular, de forma que se subentende que todas lhe foram confiadas. Assim, se os gregos ou outros dizem que não foram confiados a Pedro e aos seus sucessores, é necessário que reconheçam que não fazem parte das ovelhas de Cristo pois o Senhor disse no evangelho de São João: "Há um só rebanho e um só Pastor" (Jo 10,16).

As palavras do Evangelho nos ensinam: esta potência comporta duas espadas, todas as duas estão em poder da Igreja: a espada espiritual e a espada temporal. Mas esta última deve ser usada para a Igreja enquanto que a primeira deve ser usada pela Igreja. O espiritual deve ser manuseado pela mão do padre; o temporal, pela mão dos reis e cavaleiros, com o consenso e segundo a vontade do padre. Uma espada deve estar subordinada à outra espada; a autoridade temporal deve ser submissa à autoridade espiritual.

O poder espiritual deve superar em dignidade e nobreza toda espécie de poder terrestre. Devemos reconhecer isso quando mais nitidamente percebemos que as coisas espirituais sobrepujam as temporais. A verdade o atesta: o poder espiritual pode estabelecer o poder terrestre e julgá-lo se este não for bom. Ora, se o poder terrestre se desvia, será julgado pelo poder espiritual. Se o poder espiritual inferior se desvia, será julgado pelo poder superior. Mas, se o poder superior se desvia, somente Deus poderá julgá-lo e não o homem. Assim testemunha o apóstolo: "O homem espiritual julga a respeito de tudo e por ninguém é julgado" (1Cor 2,15).

Esta autoridade, ainda que tenha sido dada a um homem e por ele seja exercida, não é humana, mas de Deus. Foi dada a Pedro pela boca de Deus e fundada para ele e seus sucessores Naquele que ele, a rocha, confessou, quando o Senhor disse a Pedro: "Tudo o que ligares..." (Mt 16,19). Assim, quem resiste a este poder determinado por Deus "resiste à ordem de Deus" (Rm 13,2), a menos que não esteja imaginando dois princípios, como fez Manes, opinião que julgamos falsa e herética, já que, conforme Moisés, não é "nos princípios", mas "no princípio Deus criou o céu e a terra" (Gn 1,1).

Por isso, declaramos, dizemos, definimos e pronunciamos que é absolutamente necessário à salvação de toda criatura humana estar sujeita ao romano pontífice.

Dada no Vaticano, no oitavo ano de nosso pontificado [18 de novembro de 1302].

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

BOTE FÉ em Lagarto-SE



PROGRAMAÇÃO


  • 03-01

18:30h - Caminhada com rosário luminoso com a Cruz da JMJ e o Ícone de Nossa Senhora da Visitação, saindo da Igreja da CIDADE NOVA.
Obs. Favor levar vela
21:00h - Acolhida da Praça da Piedade
21:30h - Santa Missa
22:30h - Ida à Igreja do Rosário, onde haverá uma Vigília eucarística durante toda a noite.


  • 04-01

6hs - Santa Missa
7hs - Envio da Cruz e do Ícone para Estância

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Homilia da Solenidade de Jesus Cristo, Rei do universo

Alecio Souza Vieira


Caríssimos filhos da Igreja de Nosso senhor Jesus Cristo, hoje celebramos a solenidade de Jesus Cristo, Rei do Universo. Cristo é Rei, nós somos os seus súditos. O seu Reino não é deste mundo (Cf. Jo 18, 36) e o seu trono não é de ouro brocado com pedras preciosas, mas de madeira: é a cruz. O seu manto é vermelho, mas não é de tecido nobre, é o seu Preciosíssimo Sangue vertido no madeiro que cobria o seu Santíssimo Corpo.
Guardemos bem esta imagem do Rei crucificado...

1º Ponto: “O Rei-Juiz-Pastor”
O Santo Evangelho desta solenidade nos apresenta Cristo como Rei, soberano, que vem sobre as nuvens com seu exército celeste (Cf. Mt 25, 31). Este Rei vem como juiz, para julgar a terra inteira, todos os povos. Todavia, encontramos outro aspecto deste Rei: além de ser Juiz, é também Pastor, conhece bem o seu rebanho e tem a autoridade e o conhecimento para separar as ovelhas dos cabritos (25, 33). Quando falamos de juiz já nos vem em nossa mente a “condenação”, esquecemos que sua função é zelar pela verdadeira justiça. Cristo é Rei justo, e conhece bem a cada um de seus súditos e sabe muito bem qual a sentença final aplicar. Ele é Rei-pastor, mas se faz Rei-cordeiro, sim meus irmãos, Cristo sendo Juiz e Pastor se faz réu e cordeiro. É no alto da Cruz que contemplamos o Amor deste Rei, a misericórdia deste mesmo Juiz e a humilhação deste mesmo Pastor.
O nosso Rei é apresentado morto, não para humilhá-lo, mas para mostrar-nos que se quisermos entrar no Reino eterno é preciso morrer, não apenas fisicamente, todavia durante esta vida é necessário deixar morrer em nós as nossas paixões, a nossa vontade para que o Amor real de Cristo habite em nós.
Percebemos até aqui que nos deparamos com a “loucura” deste Reino que está repleto de contradições: “Quem quiser viver deve morrer (Cf. Mt 10); quem quiser ser o primeiro que seja o último (Cf. Mc 9); o Rei é pobre; é assassinado, mas vive e por sua morte gera a vida; o Pastor se faz cordeiro e é imolado...” dentre outros aspectos que compõe este Império do Amor, por isso é contraditório pois o Amor neste mundo é contradição.

2º Ponto: “O Reino dos Céus”
O Reino dos céus é o ápice da pregação de Cristo. O Reino está tão implicitamente ligado a Cristo que se pode dizer, como Orígenes, que Ele é autobasileia, é Ele mesmo o próprio Reino. É pessoa: O Reino é Ele, Cristo é Rei!
Neste mundo nos deparamos com o sofrimento, que deve ser compreendido pelo cristão como a cruz a ser carregada por amor a Cristo e como chave da porta do Reino. Esta cruz nos leva ao Reino da vida eterna que está nos céus, é pela cruz que se chega a vida.
E como Já dizia Santo Ambrósio “Vida é, de fato, estar com Cristo; aí onde está Cristo, aí está a Vida, aí está o Reino". É em Cristo que está a Vida, é em Cristo que está o Reino. Ele é Rei, mas seu reinado não é social, muito menos territorial, mas Eterno e ilimitado. Busquemos pois o Reino bendito dos céus!

3º Ponto: “A caridade como portal do Reino”
Todos os reinos que conhecemos tem um território limitado, e um exército que não permite que qualquer um tenha acesso a ele. Imaginemos pois, aqui uma porta de entrada, imensa, mas muito estreita. Este é o portal para a entrada do Reino de Cristo, é a caridade, que por sua vez é imensa e ilimitada, mas que também é muito difícil de se vivê-la.
O Evangelho que acabamos de ouvir nos mostra dois caminhos: o da caridade para com os pequeninos e o do desprezo para com eles. Aqueles que trilham o caminho da caridade no bom trato aos necessitados (famintos, sedentos, nus, presos...) entrarão no Reino dos céus, pois quando se age com caridade a estes, é a Cristo que serve, Ele agora se coloca como pequeno. Outra virtude que destacamos nesta Santa Liturgia, é a humildade. Cristo é Rei, mas é humilde, é Juiz mas é humilde, é Pastor mas humilha-se sendo cordeiro, é Imenso e se faz pequenino.
Diante disto podemos nos questionar: Porque somos tão orgulhosos e vaidosos se buscamos o Reino da humildade? Isso sim que é contradição!
É somente através da caridade e da humildade, ou seja, da santidade, que se chega ao reino. “Eis o reino de Deus e a sua justiça: uma vida santa; isso é o que temos que procurar em primeiro lugar, a única coisa verdadeiramente necessária” (São Josemaria Escrivá)

Voltemos agora, meus irmãos, àquela primeira imagem, a figura do crucificado.... Cristo Senhor, Rei do universo nos dá uma “banho” de humildade e caridade. É na cruz que Ele Reina, sim meus irmãos, é no monte calvário que o Rei se faz Rei. Ele já reinava com o Pai na glória, no entanto é na cruz que o Rei coroado, não com ouro, mas com espinhos, oferece para nós a salvação e conquista o território do nosso coração e nos devolve a dignidade de filhos do Reino.
Então convido neste dia a você jovem, adulto, criança, idoso, a viver a santidade para ser morador do Reino. Busquemos juntos a santidade! Que os pais possam educar seus filhos neste caminho de caridade e santidade, e que os filhos possam ouvir seus pais para assim trilharem juntos esta via da vida.


Peçamos a Virgem Maria, Rainha dos Anjos e Santos, que nos ensine a fazer jus ao Sangue derramado e ao Corpo entregue, buscando sempre mais viver a caridade e a humildade para assim ultrapassarmos este portal usando também a chave que é a cruz cotidiana.
Meu Senhor e meu Rei, ajuda-me a ser um súdito fiel e propagador do seu Reino, não apenas com belas palavras, mas com a vida.
Cristo Rei nosso, Venha a nós o vosso Reino!!! Que o Senhor Reine em nossa vida e em nosso coração. Assim seja!

sexta-feira, 7 de outubro de 2011